“Murucututu, a coruja grande da noite... Linhas que cruzam a vida, o coração e dão asas aos nossos sonhos... Uma avó e uma menina... Duas gerações, duas maneiras de ver o mundo... Medo e coragem... Curiosidade e sabedoria... Um pouquinho disso, uma pitadinha daquilo... Ingredientes perfeitos para uma história de crenças, gulas, mistérios, delicitudes e poesia... Um espetáculo de teatro para todas as idades...”
No espetáculo “Murucututu” a atriz nos apresenta três personagens: a Menina, a Avó e a Coruja Murucututu. A Menina: símbolo de coragem e dos anseios da juventude; a Avó: figura emblemática que traz em si a sabedoria e arte de contar histórias; e o Murucututu: personagem do mistério e da poesia...
Temos também a figura da Narradora que conduz toda a trama e que nos permite transitar por todas as dimensões do espaço-tempo, deixando a cena anacrônica e aproximando esse universo fantástico das referências pessoais do espectador.
Horas encenado, horas cantando, e horas narrando, a atriz estabelece com o público uma relação de cumplicidade, interagindo o tempo todo com o cenário, com os objetos de cena e estimulando ativamente a imaginação de quem participa dessa experiência teatral.
Murucututu, a coruja grande da noite
Marcos Bagno
Os seres misteriosos, amedrontadores ou não, povoam o imaginário de todos os que não se deixam levar só pela razão: as crianças, na ingenuidade de quem não separa o real da fantasia, e as pessoas do povo que, na simplicidade da vida cotidiana, crêem mais facilmente no fantástico e no imponderável. Murucututu, a coruja grande da noite, um dos seres que povoa o imaginário dos índios brasileiros, encanta o leitor pelo maravilhoso e pela linguagem, assim como a Cuca e o Bicho-papão encantam os ouvidos das crianças, ao serem embaladas pelas cantigas de ninar. Na história de Marcos Bagno, Murucututu é o ser fantástico que aproxima uma avó de sua neta, provocando o diálogo sensível e necessário para que valores e atitudes sejam transmitidos de geração a geração.