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Primeira Pele
“Este espetáculo é produto de uma experiência que tive com uma mulher chamada Aparecida. Ela nos alugou uma casa, vizinha da sua, e passamos a conviver, nossas vidas morando do lado da vida dela. Um dia ela surtou. Lá de casa a gente ouvia seus gritos, seu desespero para manter a sanidade, sua vida se esvaindo. Foi muito forte pra mim; disso escrevi o texto de “Primeira Pele”. Minutos antes de entrar em cena, sempre me lembro dela.”
(Juliana Capilé – atriz e dramaturga)
 
Primeira Pele é um monólogo diferente. A personagem, esquizofrênica, está num dilema que enfrenta todos os dias: será que toma o lítio ou não toma? É claro que o remédio controla sua doença e evita os surtos característicos da patologia, mas também é esse remédio que a impede de se sentir livre! Sua imaginação está solta, pois o efeito da medicação anterior já passou, e ainda não tomou a próxima dosagem. É nesse ritmo alucinante, acompanhada pela música minimalista e percussiva que essa doce personagem decide se enquadrar na sociedade ou ser livre e louca. O espetáculo escapa do conceito dramático de esquizofrenia e busca um retrato dinâmico e hilário, procurando a sensatez da loucura. As dúvidas da personagem passam a ser as dúvidas de todos. As certezas deixam de existir e a pergunta é: quem está delirando?

Proposta de Encenação

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Este espetáculo nasceu de um incômodo pessoal, permeado de muitos sons. O texto traz uma sonoridade, a loucura traz seu tempo. Unindo intenções, a peça está ancorada em um tripé: texto, atuação e musica cênica. Os três ingredientes se misturam ora miscigenados, ora imiscíveis, como o delírio e a realidade. A música cênica é um outro personagem no monólogo. Executada ao vivo e com instrumentos não convencionais, como latas e outros materiais recicláveis, a música é parte primordial da construção da peça. A loucura e seus sons. É a partir de elementos não materiais, como o som, como a imaginação e as elucubrações que a atuação cria seu vínculo de inspiração. Procurando abarcar esses elementos voláteis, a atuação se baseia nas respostas imediatas da personagem frente a cada elemento dado. Apesar de ensaios, marcações, descobertas de espaço e objetos, a personagem se desloca em seu espaço/tempo, com toda a autonomia, a atriz em constante estado de alerta. A música bem marcada, construída minimalmente e o texto que sai da boca da personagem, às vezes como uma facada, outras como um afago, são as verdadeiras âncoras de realidade dessa personagem. O resultado é um drama-cômico de 45 minutos, que nos traz a identificação com a loucura, ou com a mais pura das sanidades.

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Ficha Técnica

Dramaturgia e Atuação: Juliana Capilé:
Direção Geral e Execução Musical: Tatiana Horevicht
Figurino: Juliana Capilé Cenário: Cia. Pessoal.
Iluminação: Cia. Pessoal.
Música Cênica: Cia. Pessoal.

Necessidades Técnicas

Iluminação:
12 refletores Pares
2 refletores Elipso
2 setlight
Gelatina: âmbar, lavanda, vermelho, azul, verde, amarelo.

OBS.: Os recursos técnicos utilizados poderão ser alterados devido as necessidades e soluções cênicas específicas de cada espaço para apresentação.